25 posições, pontuadas pelo mesmo modelo, todos os meses. Esta é a edição de Agosto de 2026. Mostra os scores e explica o método — não diz o que comprar.
Metodologia
Este scorecard não é uma lista de recomendações. É o output de um modelo que pontua as mesmas 25 posições segundo critérios fixos, aplicados da mesma forma a todas, todos os meses. O valor não está em nenhuma pontuação isolada — está na consistência com que são calculadas e na possibilidade de acompanhar como se movem ao longo do tempo.
Os quatro pilares
O FIR é o score final. Resulta da agregação de quatro dimensões independentes, cada uma a responder a uma pergunta diferente sobre a mesma empresa.
Momentum fundamental. Os fundamentais estão a melhorar ou a deteriorar-se? Não é o nível — é a direção. Margens, retorno sobre capital e geração de caixa medidos contra o próprio histórico da empresa. É o pilar com maior peso no score final, porque os mercados reagem depressa ao preço e devagar aos fundamentais.
Qualidade do negócio. A empresa é sólida hoje? Rentabilidade, qualidade dos resultados, reinvestimento e estabilidade do crescimento, agregados em vários sinais independentes em vez de uma métrica dominante. Um score composto é mais difícil de enganar do que qualquer rácio isolado.
Força técnica e de mercado. O mercado está a validar esta empresa? Força relativa face ao universo e à sua própria indústria. Não é análise gráfica — é a medição de onde a ação está no ranking, não de onde alguém acha que vai.
Valorização. O preço já reflete tudo isto? Estimativas de valor intrínseco e múltiplos face à geração de caixa. É o pilar que impede o modelo de premiar apenas o que já subiu.
O que não é publicado
Os pilares não contribuem em partes iguais. A ponderação entre eles, as fontes que alimentam cada um e os limiares de classificação não são publicados — é a parte que resulta de trabalho próprio.
Por isso esta tabela mostra o resultado, não os componentes. O que é publicado é a lógica, o score final e a série ao longo do tempo, que é o que permite a qualquer pessoa avaliar se o modelo vale alguma coisa.
A escala
O FIR é publicado numa escala de 0 a 100 obtida por transformação linear fixa do score interno.
Fixa é a palavra que importa. A conversão não é recalculada em função da carteira de cada mês. Um 72 em agosto e um 72 em novembro significam exatamente a mesma coisa. Se a escala fosse relativa ao mês, uma posição podia subir ou descer sem que nada tivesse mudado nos seus fundamentais — bastava outra posição qualquer entrar ou sair da carteira. A série deixaria de ser comparável, e a série é o único ativo real deste documento.
Como ler a tabela — e como não a ler
Comparações relativas, não absolutas. Um FIR de 82 não significa “82% de probabilidade” de coisa nenhuma. Significa que, segundo estes critérios, esta posição pontua acima de outra com 74. A escala serve para ordenar, não para prever.
Os pilares divergem, e é aí que está a informação. Uma empresa pode ter a melhor qualidade de negócio da tabela e um FIR na metade de baixo. Não é um erro do modelo — é exatamente o que ele foi construído para tornar visível.
O movimento importa mais do que o nível. Uma posição que caiu de 85 para 71 em dois meses diz mais do que uma posição que está nos 78 há um ano. A tabela de um mês isolado é a menos informativa de todas.
Isto não é uma carteira. Não há aqui dimensionamento de posições, horizonte temporal, correlação entre nomes, nem qualquer consideração sobre a situação de quem lê. Um score alto não é uma sugestão de compra e um score baixo não é uma sugestão de venda. São medidas, não decisões.
As 25 posições
Ordenadas por FIR. A coluna Δ mês passa a ter valores a partir da próxima edição — e é ela que vai passar a ser a informação mais importante desta tabela.
| # | Ticker | Empresa | Setor | FIR | Classificação | Δ mês |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | RR.L | Rolls-Royce | Aeroespacial | 87.2 | Elite | — |
| 2 | TSM | Taiwan Semiconductor | Tecnologia | 86.5 | Elite | — |
| 3 | MU | Micron Technology | Tecnologia | 85.1 | Elite | — |
| 4 | FIX | Comfort Systems USA | Construção | 84.5 | Muito Forte | — |
| 5 | LDO.MI | Leonardo SpA | Aeroespacial | 84.3 | Muito Forte | — |
| 6 | MSFT | Microsoft | Tecnologia | 83.2 | Muito Forte | — |
| 7 | RSPT | Invesco S&P 500 EW Tech | ETF | 80.9 | Muito Forte | — |
| 8 | AMZN | Amazon.com | Retalho | 80.1 | Muito Forte | — |
| 9 | PST.MI | Poste Italiane | Transportes | 78.2 | Muito Forte | — |
| 10 | VRT | Vertiv Holdings | Tecnologia | 77.5 | Forte | — |
| 11 | CLS | Celestica | Tecnologia | 73.4 | Forte | — |
| 12 | AVGO | Broadcom | Tecnologia | 72.8 | Forte | — |
| 13 | NVDA | NVIDIA | Tecnologia | 72.3 | Forte | — |
| 14 | GE | General Electric | Aeroespacial | 72.2 | Forte | — |
| 15 | AAPL | Apple | Tecnologia | 71.9 | Forte | — |
| 16 | GEV | GE Vernova | Energia | 71.1 | Forte | — |
| 17 | HWM | Howmet Aerospace | Aeroespacial | 70.6 | Forte | — |
| 18 | QQQ | Invesco QQQ | ETF | 69.0 | Bom | — |
| 19 | JPM | JPMorgan Chase | Financeiro | 66.9 | Bom | — |
| 20 | VOO | Vanguard S&P 500 ETF | ETF | 64.6 | Bom | — |
| 21 | GOOG | Alphabet | Tecnologia | 59.5 | Neutro | — |
| 22 | IBE.MC | Iberdrola | Utilities | 52.4 | Fraco | — |
| 23 | META | Meta Platforms | Tecnologia | 50.8 | Fraco | — |
| 24 | GLD | SPDR Gold | ETF | 45.9 | Fraco | — |
| 25 | TSLA | Tesla | Automóvel | 29.2 | Muito Fraco | — |
Distribuição
Leitura do mês
Esta é a primeira edição publicada do scorecard, por isso a coluna de variação está vazia. O que se pode ler já hoje é a estrutura: onde os pilares concordam e, sobretudo, onde discordam.
A divergência do mês é a Alphabet. Tem a pontuação máxima no pilar de qualidade do negócio — não há nenhuma posição da carteira acima dela — e ocupa o 21.º lugar dos 25 no FIR, com classificação Neutro. A explicação está nos outros pilares: o momentum fundamental é dos mais fracos do conjunto e o comportamento a três meses acompanhou. É o caso limpo do que este modelo foi construído para tornar visível. Um negócio de qualidade excecional que, neste momento, não está a melhorar. Nada nisto diz que a leitura do mercado está certa.
A Meta é a mesma história, mais extrema. Também pontua no máximo em qualidade do negócio e está em 23.º, classificada como Fraco. A diferença é o momentum fundamental, que é o mais baixo de toda a carteira depois da Tesla.
No topo está o padrão oposto. A Rolls-Royce lidera com um perfil de qualidade a meio da tabela. O que a coloca em primeiro é momentum fundamental quase máximo, consistente e não pontual. Um score alto por esta via é estruturalmente mais frágil do que um score alto por via de qualidade: o momentum inverte-se mais depressa do que os fundamentais.
Só uma posição tem as duas coisas ao mesmo tempo. A TSM combina momentum fundamental elevado com qualidade de negócio no quartil de topo. Não é o score mais alto do mês — é o mais bem sustentado, e é uma distinção que vale a pena reter.
Nos extremos. A Tesla é a única posição classificada como Muito Fraco, com o pilar de valorização no fundo da escala e o momentum fundamental mais baixo da carteira. Do lado oposto, três posições atingem a classificação Elite: Rolls-Royce, TSM e Micron.
O que o modelo não viu. O pilar de valorização entra na composição, mas não é suficiente para impedir que uma empresa cara pontue bem se os restantes pilares forem fortes. Um score alto nesta tabela não significa que o preço seja atrativo. Vou repeti-lo em todas as edições em que for verdade.
Aviso legal
Este documento tem finalidade exclusivamente educativa e metodológica. Não constitui aconselhamento financeiro, recomendação de investimento, nem qualquer sugestão personalizada de compra ou venda de instrumentos financeiros. Os scores apresentados são o output de um modelo quantitativo próprio e não têm em conta a situação financeira, os objetivos ou o perfil de risco de quem os lê. Rendibilidades passadas não são garantia de resultados futuros. O investimento em instrumentos financeiros comporta risco de perda de capital. Cada leitor é inteiramente responsável pelas suas próprias decisões de investimento e deve, se necessário, procurar aconselhamento profissional independente.