27 posições, pontuadas pelo mesmo modelo, todos os meses. Esta é a edição de Setembro de 2026, com dados de 29 de agosto. Mostra os scores e explica o método — não diz o que comprar.

Metodologia

Este scorecard não é uma lista de recomendações. É o output de um modelo que pontua todas as posições da carteira segundo critérios fixos, aplicados da mesma forma a todas, todos os meses. O valor não está em nenhuma pontuação isolada — está na consistência com que são calculadas e na possibilidade de acompanhar como se movem ao longo do tempo.

Os quatro pilares

O FIR é o score final. Resulta da agregação de quatro dimensões independentes, cada uma a responder a uma pergunta diferente sobre a mesma empresa.

Momentum fundamental. Os fundamentais estão a melhorar ou a deteriorar-se? Não é o nível — é a direção. Margens, retorno sobre capital e geração de caixa medidos contra o próprio histórico da empresa. É o pilar com maior peso no score final, porque os mercados reagem depressa ao preço e devagar aos fundamentais.

Qualidade do negócio. A empresa é sólida hoje? Rentabilidade, qualidade dos resultados, reinvestimento e estabilidade do crescimento, agregados em vários sinais independentes em vez de uma métrica dominante. Um score composto é mais difícil de enganar do que qualquer rácio isolado.

Força técnica e de mercado. O mercado está a validar esta empresa? Força relativa face ao universo e à sua própria indústria. Não é análise gráfica — é a medição de onde a ação está no ranking, não de onde alguém acha que vai.

Valorização. O preço já reflete tudo isto? Estimativas de valor intrínseco e múltiplos face à geração de caixa. É o pilar que impede o modelo de premiar apenas o que já subiu.

O que não é publicado

Os pilares não contribuem em partes iguais. A ponderação entre eles, as fontes que alimentam cada um e os limiares de classificação não são publicados — é a parte que resulta de trabalho próprio.

Por isso esta tabela mostra o resultado, não os componentes. O que é publicado é a lógica, o score final e a série ao longo do tempo, que é o que permite a qualquer pessoa avaliar se o modelo vale alguma coisa.

A escala

O FIR é publicado numa escala de 0 a 100 obtida por transformação linear fixa do score interno.

Fixa é a palavra que importa. A conversão não é recalculada em função da carteira de cada mês. Um 72 em agosto e um 72 em novembro significam exatamente a mesma coisa. Se a escala fosse relativa ao mês, uma posição podia subir ou descer sem que nada tivesse mudado nos seus fundamentais — bastava outra posição qualquer entrar ou sair da carteira. A série deixaria de ser comparável, e a série é o único ativo real deste documento.

Como ler a tabela — e como não a ler

Comparações relativas, não absolutas. Um FIR de 82 não significa “82% de probabilidade” de coisa nenhuma. Significa que, segundo estes critérios, esta posição pontua acima de outra com 74. A escala serve para ordenar, não para prever.

Os pilares divergem, e é aí que está a informação. Uma empresa pode ter a melhor qualidade de negócio da tabela e um FIR na metade de baixo. Não é um erro do modelo — é exatamente o que ele foi construído para tornar visível.

O movimento importa mais do que o nível. Uma posição que caiu de 85 para 71 em dois meses diz mais do que uma posição que está nos 78 há um ano. A tabela de um mês isolado é a menos informativa de todas.

Isto não é uma carteira. Não há aqui dimensionamento de posições, horizonte temporal, correlação entre nomes, nem qualquer consideração sobre a situação de quem lê. Um score alto não é uma sugestão de compra e um score baixo não é uma sugestão de venda. São medidas, não decisões.

As 27 posições

Ordenadas por FIR. A coluna Δ mês compara com a edição de agosto e estreia-se aqui. As posições sem leitura anterior aparecem como novas.

# Ticker Empresa Setor FIR Classificação Δ mês
1 MSFT Microsoft Tecnologia 87,9 Elite +4,7
2 NVDA NVIDIA Tecnologia 87,0 Elite +14,7
3 AMZN Amazon.com Retalho 83,9 Muito Forte +3,8
4 TSM Taiwan Semiconductor Tecnologia 82,4 Muito Forte −4,1
5 MU Micron Technology Tecnologia 82,0 Muito Forte −3,1
6 AAPL Apple Tecnologia 78,1 Muito Forte +6,2
7 PST.MI Poste Italiane Transportes 76,6 Forte −1,6
8 RR.L Rolls-Royce Aeroespacial 74,4 Forte −12,8
9 FIX Comfort Systems USA Construção 74,0 Forte −10,5
10 LDO.MI Leonardo SpA Aeroespacial 73,5 Forte −10,8
11 RSPT Invesco S&P 500 EW Tech ETF 73,2 Forte −7,7
12 JPM JPMorgan Chase Financeiro 72,9 Forte +6,0
13 VRT Vertiv Holdings Tecnologia 67,7 Bom −9,8
14 CRDO Credo Technology Tecnologia 67,1 Bom nova
15 AVGO Broadcom Tecnologia 64,8 Bom −8,0
16 CLS Celestica Tecnologia 63,0 Neutro −10,4
17 HWM Howmet Aerospace Aeroespacial 62,7 Neutro −7,9
18 EWP iShares MSCI Spain ETF 61,2 Neutro nova
19 VOO Vanguard S&P 500 ETF ETF 59,6 Neutro −5,0
20 GOOG Alphabet Tecnologia 57,3 Neutro −2,2
21 QQQ Invesco QQQ ETF 54,2 Fraco −14,8
22 META Meta Platforms Tecnologia 52,9 Fraco +2,1
23 GLD SPDR Gold ETF 49,6 Fraco +3,7
24 GE General Electric Aeroespacial 48,9 Fraco −23,3
25 IBE.MC Iberdrola Utilities 48,7 Fraco −3,7
26 GEV GE Vernova Energia 44,8 Muito Fraco −26,3
27 TSLA Tesla Automóvel 31,3 Muito Fraco +2,1

Distribuição

0255075100MSFT87,9NVDA87,0AMZN83,9TSM82,4MU82,0AAPL78,1PST.MI76,6RR.L74,4FIX74,0LDO.MI73,5RSPT73,2JPM72,9VRT67,7CRDO67,1AVGO64,8CLS63,0HWM62,7EWP61,2VOO59,6GOOG57,3QQQ54,2META52,9GLD49,6GE48,9IBE.MC48,7GEV44,8TSLA31,3FIR (escala 0-100, fixa entre edicoes)

Leitura do mês

A coluna Δ estreia-se — e diz que o modelo arrefeceu em bloco. Das 25 posições que já existiam em agosto, 17 desceram e 8 subiram, com uma variação média de −4,8 pontos. Numa escala fixa isto não é rotação relativa entre nomes: é deterioração medida. Explica também por que apenas duas posições mantêm a classificação Elite quando em agosto eram três. As fronteiras das bandas não se movem, e um arrefecimento geral empurra vários nomes um degrau para baixo.

A NVIDIA é a exceção, e sobe pela razão certa. Ganha 14,7 pontos e passa ao segundo lugar. O que se moveu foi o pilar de momentum fundamental — receita, margem e projeção, não preço. É o pilar de maior peso e o mais lento a reagir, e é a diferença entre uma subida que se desfaz na semana seguinte e uma que tende a persistir. Vale a pena o contraste com a Rolls-Royce, que em agosto liderava a tabela pela mesma via e perde 12,8 pontos neste mês.

As duas maiores quedas vêm do mesmo bloco. A GE Vernova perde 26,3 pontos e a General Electric 23,3. Em nenhum dos casos o preço acompanhou — a General Electric está positiva a três e a doze meses. O que se desfez foi o resto do perfil: força relativa, acumulação e valorização. É o padrão inverso ao da NVIDIA, e é exatamente o que esta coluna existe para tornar visível — o modelo a mover-se antes do preço.

Alphabet e Meta continuam onde estavam. Mantêm a pontuação máxima no pilar de qualidade do negócio e ocupam o 20.º e o 22.º lugares. É o terceiro mês consecutivo no mesmo sítio. Uma divergência que se repete três vezes deixa de ser uma anomalia de leitura e passa a ser uma característica destas duas empresas: negócios excelentes que, neste momento, não estão a melhorar.

Duas entradas novas. A Credo Technology e o ETF de ações espanholas aparecem sem variação, por não terem leitura anterior. A Credo entra a meio da tabela, em 14.º.

Uma nota sobre o topo. As cinco melhores pontuações — Microsoft, NVIDIA, Amazon, TSMC e Micron — são cinco empresas diferentes e uma só aposta. Esta tabela ordena nomes; não mede quanto de uma carteira está exposto ao mesmo tema. São perguntas diferentes, e a segunda não se responde com um ranking.

O que o modelo não viu. O pilar de valorização entra na composição, mas não é suficiente para impedir que uma empresa cara pontue bem se os restantes pilares forem fortes. Um score alto nesta tabela não significa que o preço seja atrativo. Vou repeti-lo em todas as edições em que for verdade.


Aviso legal

Este documento tem finalidade exclusivamente educativa e metodológica. Não constitui aconselhamento financeiro, recomendação de investimento, nem qualquer sugestão personalizada de compra ou venda de instrumentos financeiros. Os scores apresentados são o output de um modelo quantitativo próprio e não têm em conta a situação financeira, os objetivos ou o perfil de risco de quem os lê. Rendibilidades passadas não são garantia de resultados futuros. O investimento em instrumentos financeiros comporta risco de perda de capital. Cada leitor é inteiramente responsável pelas suas próprias decisões de investimento e deve, se necessário, procurar aconselhamento profissional independente.