Leitura mais recente: 3 de outubro de 2026. Ver o scorecard de outubro → Esta página mantém a leitura de 27 de setembro.

NOTA PARA QUEM CHEGOU AQUI PELA CARTA

Carta e scorecard passam a sair da mesma corrida. A carta de hoje e esta tabela saem as duas da corrida de 27 de setembro de 2026. Não há duas datas nem duas medidas.

E, pela primeira vez, a coluna Δ está preenchida: esta é a segunda leitura feita com a mesma régua, por isso a variação já é comparável. O que a régua mede está explicado mais abaixo, em “A escala”.

Leitura de 27 de setembro de 2026 — 26 posições, das quais 21 pontuadas e 5 fundos sem score. O scorecard é corrido uma vez por mês e fotografa a carteira no dia da corrida. A carteira muda entre leituras, por isso o número de posições é o desse dia, não necessariamente o de hoje. Mostra os scores e explica o método — não diz o que comprar.

Metodologia

Este scorecard não é uma lista de recomendações. É o output de um modelo que pontua todas as posições da carteira segundo critérios fixos, aplicados da mesma forma a todas, todos os meses. O valor não está em nenhuma pontuação isolada — está na consistência com que são calculadas e na possibilidade de acompanhar como se movem ao longo do tempo.

Os quatro pilares

O score final resulta da agregação de quatro dimensões independentes, cada uma a responder a uma pergunta diferente sobre a mesma empresa.

Momentum fundamental. Os fundamentais estão a melhorar ou a deteriorar-se? Não é o nível — é a direção. Margens, retorno sobre capital e geração de caixa medidos contra o próprio histórico da empresa. É o pilar com maior peso no score final, porque os mercados reagem depressa ao preço e devagar aos fundamentais.

Qualidade do negócio. A empresa é sólida hoje? Rentabilidade, qualidade dos resultados, reinvestimento e estabilidade do crescimento, agregados em vários sinais independentes em vez de uma métrica dominante. Um score composto é mais difícil de enganar do que qualquer rácio isolado.

Força técnica e de mercado. O mercado está a validar esta empresa? Força relativa face ao universo e à sua própria indústria. Não é análise gráfica — é a medição de onde a ação está no ranking, não de onde alguém acha que vai.

Valorização. O preço já reflete tudo isto? Estimativas de valor intrínseco e múltiplos face à geração de caixa. É o pilar que impede o modelo de premiar apenas o que já subiu.

O que não é publicado

Os pilares não contribuem em partes iguais. A ponderação entre eles, as fontes que alimentam cada um e os limiares de classificação não são publicados — é a parte que resulta de trabalho próprio.

Por isso esta tabela mostra o resultado, não os componentes. O que é publicado é a lógica, o score final e a série ao longo do tempo, que é o que permite a qualquer pessoa avaliar se o modelo vale alguma coisa.

A escala

A régua atual estreou na leitura de 18 de setembro de 2026, e a série recomeça aí.

Até agosto, o score publicado era uma transformação fixa do score interno: um 72 em agosto e um 72 em novembro significavam exatamente a mesma coisa, e a comparação entre meses era o ponto.

A partir de setembro, o score resulta da combinação dos pilares normalizada sobre a carteira do mês. É uma régua mais fiel a ordenar os nomes que tenho hoje, e pior a comparar com o passado: um 60 em setembro e um 60 em outubro não dizem necessariamente a mesma coisa sobre a mesma empresa. As bandas de classificação também são novas.

Por isso a série recomeçou na leitura de 18 de setembro, e a coluna Δ só passa a existir a partir da segunda leitura feita com a mesma régua. É o caso desta: a variação que vês compara 27 de setembro com 18 de setembro, dentro da série nova. Prefiro recomeçar a série a publicar uma variação que não significa nada.

O que não mudou: a lógica dos quatro pilares, o facto de nenhum deles ser publicado com o seu peso, e a regra de que isto ordena, não prevê.

Bandas: High Conviction ≥ 70 · Core 55–70 · Hold 40–55 · Weak < 40

Como ler a tabela — e como não a ler

Comparações relativas, não absolutas. Um score de 82 não significa “82% de probabilidade” de coisa nenhuma. Significa que, segundo estes critérios, esta posição pontua acima de outra com 74. A escala serve para ordenar, não para prever.

Os pilares divergem, e é aí que está a informação. Uma empresa pode ter a melhor qualidade de negócio da tabela e um score na metade de baixo. Não é um erro do modelo — é exatamente o que ele foi construído para tornar visível.

O movimento importa mais do que o nível. Uma posição que caiu de 85 para 71 em dois meses diz mais do que uma posição que está nos 78 há um ano. A tabela de um mês isolado é a menos informativa de todas.

Isto não é uma carteira. Não há aqui dimensionamento de posições, horizonte temporal, correlação entre nomes, nem qualquer consideração sobre a situação de quem lê. Um score alto não é uma sugestão de compra e um score baixo não é uma sugestão de venda. São medidas, não decisões.

As 21 posições pontuadas

Ordenadas por score. A coluna Δ mostra a variação face à leitura de 18 de setembro de 2026 — a primeira feita com esta régua.

# TICKER EMPRESA SETOR SCORE CLASSIFICAÇÃO Δ MÊS
1 TSM Taiwan Semiconductor Tecnologia 82,4 High Conviction +2,3
2 MU Micron Technology Tecnologia 73,8 High Conviction −0,6
3 NVDA NVIDIA Tecnologia 73,0 High Conviction +1,1
4 AAPL Apple Tecnologia 72,9 High Conviction −2,5
5 CLS Celestica Tecnologia 72,6 High Conviction +19,9
6 MSFT Microsoft Tecnologia 71,7 High Conviction −0,5
7 META Meta Platforms Tecnologia 68,3 Core +12,2
8 FIX Comfort Systems USA Construção 67,8 Core −3,4
9 GOOG Alphabet Tecnologia 64,5 Core +6,3
10 AMZN Amazon.com Retalho 64,5 Core +1,3
11 VRT Vertiv Holdings Tecnologia 58,3 Core +1,3
12 PST.MI Poste Italiane Transportes 56,6 Core −5,9
13 LDO.MI Leonardo SpA Aeroespacial 55,8 Core −3,0
14 RR.L Rolls-Royce Aeroespacial 55,6 Core −4,0
15 AVGO Broadcom Tecnologia 47,3 Hold −1,3
16 JPM JPMorgan Chase Financeiro 40,4 Hold −6,5
17 GEV GE Vernova Energia 39,3 Weak −1,6
18 IBE.MC Iberdrola Utilities 37,2 Weak −2,0
19 HWM Howmet Aerospace Aeroespacial 33,5 Weak −0,6
20 GE General Electric Aeroespacial 27,6 Weak −2,8
21 TSLA Tesla Automóvel 17,4 Weak −0,2

Score médio: 56,2.

Sem score — não aplicável

Estes cinco fundos não têm demonstrações financeiras próprias. Dar-lhes uma pontuação seria fabricar um número, por isso aparecem com o peso à vista e sem score.

TICKER FUNDO PESO
VOO Vanguard S&P 500 5,62%
QQQ Invesco QQQ 5,11%
RSPT Invesco S&P 500 EW Technology 3,85%
GLD SPDR Gold 2,15%
EWP iShares MSCI Spain 1,65%

Bloco de fundos: 18,38% da carteira. Liquidez: 1,04%.

Leitura do mês

Seis nomes em High Conviction, cinco em Weak, e o meio da tabela cheio. Dos 21 nomes pontuados, seis passam os 70 pontos, oito ficam em Core, dois em Hold e cinco em Weak. O score médio é 56,2 — ou seja, a carteira mediana está em Core, não em convicção. É uma leitura honesta de onde estou: um núcleo pequeno de posições que o modelo valida com força, e uma cauda larga que está lá por outras razões.

Os semicondutores ocupam o pódio inteiro. TSMC em primeiro, Micron em segundo, NVIDIA em terceiro. Não é uma surpresa — é o espelho de uma carteira com 22% em semicondutores. Vale a pena repetir o que escrevi no mês passado, porque continua verdade: esta tabela ordena nomes, não mede quanto da carteira está exposta ao mesmo tema. Ter os três primeiros no mesmo setor é um sinal de concentração, não de diversificação bem-sucedida.

O bloco aeroespacial está partido ao meio. Leonardo em décimo terceiro e Rolls-Royce em décimo quarto, ambos em Core; Howmet em décimo nono e General Electric em vigésimo, ambos em Weak. São quatro empresas do mesmo setor separadas por vinte e oito pontos. É o tipo de dispersão que o modelo existe para tornar visível: “aeroespacial e defesa” é uma tese, não uma posição, e dentro dela nem tudo está a acontecer ao mesmo tempo.

A Meta e a Alphabet saíram do meio da tabela. Sétimo e nono lugar, depois de subirem 12,2 e 6,3 pontos nesta leitura. Durante três meses foram o exemplo da divergência entre qualidade do negócio e score: negócios excelentes que não estavam a melhorar. Esta é a primeira leitura em que a diferença começa a fechar — e uma leitura não faz tendência.

O maior movimento do livro foi a Celestica. Mais 19,9 pontos, de 52,7 para 72,6, o maior salto numa única leitura desde que publico esta tabela. Do outro lado, o JPMorgan perdeu 6,5 pontos e a Poste Italiane 5,9.

A Tesla está sozinha no fundo. 17,4 pontos, a 10,2 do penúltimo lugar. Não há nenhuma outra posição a esta distância de todas as outras, em nenhum dos extremos.

O que o modelo não vê. O pilar de valorização entra na composição, mas não chega para impedir que uma empresa cara pontue bem quando os restantes pilares são fortes. Um score alto nesta tabela não quer dizer que o preço esteja atrativo. Continuo a repeti-lo em todas as edições em que for verdade.

Aviso legal

Este documento tem finalidade exclusivamente educativa e metodológica. Não constitui aconselhamento financeiro, recomendação de investimento, nem qualquer sugestão personalizada de compra ou venda de instrumentos financeiros. Os scores apresentados são o output de um modelo quantitativo próprio e não têm em conta a situação financeira, os objetivos ou o perfil de risco de quem os lê. Rendibilidades passadas não são garantia de resultados futuros. O investimento em instrumentos financeiros comporta risco de perda de capital. Cada leitor é inteiramente responsável pelas suas próprias decisões de investimento e deve, se necessário, procurar aconselhamento profissional independente.

Os scores ordenam; a carteira executa.

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