NOTA PARA QUEM CHEGOU AQUI PELA CARTA
Esta tabela sai da corrida de 3 de outubro de 2026 — a mesma da carta de hoje. Não há duas datas nem duas medidas.
Nesta leitura, os 21 scores saem todos da mesma regra, aplicada da mesma forma a todos os nomes, sem nenhum ajuste feito à mão — e os parâmetros do cálculo ficam arquivados. A coluna Δ está vazia; explico porquê mais abaixo, em “A escala”.
Leitura de 3 de outubro de 2026 — 26 posições, das quais 21 pontuadas e 5 fundos sem score. O scorecard é corrido uma vez por mês e fotografa a carteira no dia da corrida. A carteira muda entre leituras, por isso o número de posições é o desse dia, não necessariamente o de hoje. Mostra os scores e explica o método — não diz o que comprar.
A leitura anterior, de 27 de setembro de 2026, continua disponível em /pt/scorecard/.
Metodologia
Este scorecard não é uma lista de recomendações. É o output de um modelo que pontua todas as posições da carteira segundo critérios fixos, aplicados da mesma forma a todas, todos os meses. O valor não está em nenhuma pontuação isolada — está na consistência com que são calculadas e na possibilidade de acompanhar como se movem ao longo do tempo.
Os quatro pilares
O score final resulta da agregação de quatro dimensões independentes, cada uma a responder a uma pergunta diferente sobre a mesma empresa.
Momentum fundamental. Os fundamentais estão a melhorar ou a deteriorar-se? Não é o nível — é a direção. Margens, retorno sobre capital e geração de caixa medidos contra o próprio histórico da empresa. É o pilar com maior peso no score final, porque os mercados reagem depressa ao preço e devagar aos fundamentais.
Qualidade do negócio. A empresa é sólida hoje? Rentabilidade, qualidade dos resultados, reinvestimento e estabilidade do crescimento, agregados em vários sinais independentes em vez de uma métrica dominante. Um score composto é mais difícil de enganar do que qualquer rácio isolado.
Força técnica e de mercado. O mercado está a validar esta empresa? Força relativa face ao universo e à sua própria indústria. Não é análise gráfica — é a medição de onde a ação está no ranking, não de onde alguém acha que vai.
Valorização. O preço já reflete tudo isto? Estimativas de valor intrínseco e múltiplos face à geração de caixa. É o pilar que impede o modelo de premiar apenas o que já subiu.
O que não é publicado
Os pilares não contribuem em partes iguais. A ponderação entre eles, as fontes que alimentam cada um e os limiares de classificação não são publicados — é a parte que resulta de trabalho próprio.
Por isso esta tabela mostra o resultado, não os componentes. O que é publicado é a lógica, o score final e a série ao longo do tempo, que é o que permite a qualquer pessoa avaliar se o modelo vale alguma coisa.
A escala
A régua atual estreou na leitura de 18 de setembro de 2026, e a série recomeça aí.
Até agosto, o score publicado era uma transformação fixa do score interno: um 72 em agosto e um 72 em novembro significavam exatamente a mesma coisa, e a comparação entre meses era o ponto.
A partir de setembro, o score resulta da combinação dos pilares normalizada sobre a carteira do mês. É uma régua mais fiel a ordenar os nomes que tenho hoje, e pior a comparar com o passado: um 60 em setembro e um 60 em outubro não dizem necessariamente a mesma coisa sobre a mesma empresa. As bandas de classificação também são novas.
Nesta leitura a coluna Δ volta a estar vazia, por uma razão diferente. Esta é a primeira leitura em que os 21 scores saem todos da mesma regra mecânica, sem nenhum ajuste manual, e com os parâmetros do cálculo arquivados para que cada número possa ser refeito. Comparar com as leituras de setembro misturaria o que mudou nas empresas com o que mudou no cálculo. A coluna Δ volta na próxima leitura, entre duas tabelas feitas exatamente da mesma maneira.
O que não mudou: a lógica dos quatro pilares, o facto de nenhum deles ser publicado com o seu peso, e a regra de que isto ordena, não prevê.
Bandas: High Conviction ≥ 70 · Core 55–70 · Hold 40–55 · Weak < 40
Como ler a tabela — e como não a ler
Comparações relativas, não absolutas. Um score de 82 não significa “82% de probabilidade” de coisa nenhuma. Significa que, segundo estes critérios, esta posição pontua acima de outra com 74. A escala serve para ordenar, não para prever.
Os pilares divergem, e é aí que está a informação. Uma empresa pode ter a melhor qualidade de negócio da tabela e um score na metade de baixo. Não é um erro do modelo — é exatamente o que ele foi construído para tornar visível.
O movimento importa mais do que o nível. Uma posição que caiu de 85 para 71 em dois meses diz mais do que uma posição que está nos 78 há um ano. A tabela de um mês isolado é a menos informativa de todas.
Isto não é uma carteira. Não há aqui dimensionamento de posições, horizonte temporal, correlação entre nomes, nem qualquer consideração sobre a situação de quem lê. Um score alto não é uma sugestão de compra e um score baixo não é uma sugestão de venda. São medidas, não decisões.
As 21 posições pontuadas
Ordenadas por score. A coluna Δ fica vazia nesta leitura — ver “A escala”.
| # | TICKER | EMPRESA | SETOR | SCORE | CLASSIFICAÇÃO | Δ MÊS |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | MU | Micron Technology | Tecnologia | 87,2 | High Conviction | — |
| 2 | TSM | Taiwan Semiconductor | Tecnologia | 86,4 | High Conviction | — |
| 3 | FIX | Comfort Systems USA | Construção | 83,8 | High Conviction | — |
| 4 | CLS | Celestica | Tecnologia | 82,0 | High Conviction | — |
| 5 | AAPL | Apple | Tecnologia | 73,6 | High Conviction | — |
| 6 | NVDA | NVIDIA | Tecnologia | 72,2 | High Conviction | — |
| 7 | MSFT | Microsoft | Tecnologia | 68,1 | Core | — |
| 8 | META | Meta Platforms | Tecnologia | 67,2 | Core | — |
| 9 | GOOG | Alphabet | Tecnologia | 65,9 | Core | — |
| 10 | AMZN | Amazon.com | Retalho | 62,0 | Core | — |
| 11 | RR.L | Rolls-Royce | Aeroespacial | 61,6 | Core | — |
| 12 | VRT | Vertiv Holdings | Tecnologia | 60,2 | Core | — |
| 13 | GEV | GE Vernova | Energia | 59,9 | Core | — |
| 14 | IBE.MC | Iberdrola | Utilities | 49,8 | Hold | — |
| 15 | PST.MI | Poste Italiane | Transportes | 47,5 | Hold | — |
| 16 | AVGO | Broadcom | Tecnologia | 42,2 | Hold | — |
| 17 | JPM | JPMorgan Chase | Financeiro | 39,0 | Weak | — |
| 18 | HWM | Howmet Aerospace | Aeroespacial | 37,9 | Weak | — |
| 19 | LDO.MI | Leonardo SpA | Aeroespacial | 36,1 | Weak | — |
| 20 | GE | General Electric | Aeroespacial | 22,8 | Weak | — |
| 21 | TSLA | Tesla | Automóvel | 18,9 | Weak | — |
Score médio: 58,3.
Sem score — não aplicável
Estes cinco fundos não têm demonstrações financeiras próprias. Dar-lhes uma pontuação seria fabricar um número, por isso aparecem com o peso à vista e sem score.
| TICKER | FUNDO | PESO |
|---|---|---|
| VOO | Vanguard S&P 500 | 5,45% |
| QQQ | Invesco QQQ | 5,01% |
| RSPT | Invesco S&P 500 EW Technology | 3,85% |
| GLD | SPDR Gold | 2,02% |
| EWP | iShares MSCI Spain | 1,53% |
Bloco de fundos: 17,86% da carteira. Liquidez: cerca de 2,0%.
Nota sobre a liquidez. A partir desta leitura, a liquidez é calculada sobre o valor de mercado da carteira — a mesma base de todos os pesos desta página. O saldo que a eToro mostra usa outra base (capital investido mais liquidez) e não é diretamente comparável com os pesos. Na leitura de 27 de setembro, a liquidez publicada (1,04%) estava nessa outra base; sobre o valor de mercado, era cerca de 0,6%.
Leitura do mês
Quatro nomes acima dos 80, e depois um degrau. Micron, TSMC, Comfort Systems e Celestica pontuam todos acima de 80. O quinto, a Apple, fica nos 73,6 — mais de oito pontos abaixo. Dos 21 nomes pontuados, seis estão em High Conviction, sete em Core, três em Hold e cinco em Weak. O score médio é 58,3.
O topo está empatado. A Micron fica em primeiro, com 87,2, e a TSMC em segundo, com 86,4. São três quartos de ponto — menos do que o modelo consegue distinguir: basta uma ação trocar de lugar num dos rankings que alimentam o score para ele mexer um ponto inteiro. Leio as duas como empatadas no topo.
Os quatro primeiros estão na mesma cadeia. Dois fazem chips — a Micron, memória; a TSMC, fabrico por encomenda. Os outros dois constroem onde os chips trabalham: a Celestica monta hardware para centros de dados e a Comfort Systems instala os sistemas elétricos e de climatização de grandes edifícios, entre eles centros de dados. É convicção num tema, não diversificação. E nem todo o setor está em cima: a NVIDIA fica em sexto e a Broadcom em décimo sexto, em Hold. Esta tabela ordena nomes; não mede quanto da carteira está exposta à mesma aposta.
As quatro grandes plataformas estão juntas no meio. Microsoft, Meta, Alphabet e Amazon ocupam do sétimo ao décimo lugar, todas em Core. Estão entre as empresas com melhor qualidade de negócio da tabela — e é precisamente por isso que vale a pena notar que nenhuma está no topo: o modelo pesa a direção, não só o nível.
O bloco aeroespacial continua partido. A Rolls-Royce fica em Core, em décimo primeiro. A Howmet, a Leonardo e a General Electric estão em Weak, entre o décimo oitavo e o vigésimo lugar. “Aeroespacial e defesa” é uma tese, não uma posição, e dentro dela nem tudo está a acontecer ao mesmo tempo.
A Tesla fecha a tabela. 18,9 pontos. A General Electric está logo acima, com 22,8.
O que o modelo não vê. O pilar de valorização entra na composição, mas não chega para impedir que uma empresa cara pontue bem quando os restantes pilares são fortes. Um score alto nesta tabela não quer dizer que o preço esteja atrativo. Continuo a repeti-lo em todas as edições em que for verdade.
Aviso legal
Este documento tem finalidade exclusivamente educativa e metodológica. Não constitui aconselhamento financeiro, recomendação de investimento, nem qualquer sugestão personalizada de compra ou venda de instrumentos financeiros. Os scores apresentados são o output de um modelo quantitativo próprio e não têm em conta a situação financeira, os objetivos ou o perfil de risco de quem os lê. Rendibilidades passadas não são garantia de resultados futuros. O investimento em instrumentos financeiros comporta risco de perda de capital. Cada leitor é inteiramente responsável pelas suas próprias decisões de investimento e deve, se necessário, procurar aconselhamento profissional independente.